Em meio ao seu verde, o fogo arde queimando o nosso pulmão. Os pássaros perdem seus galhos, em desespero voam sem rumo na imensidão. Os animais correm em círculos, perdidos na fumaça da morte certa. Os gritos das aves, dos animais, das plantas... Sentindo-nos impotentes, perguntaremos a nós mesmos: O que fizemos com a nossa Amazônia? - Regina Martins.
O Dia da Amazônia – 05 de setembro – é uma data cheia de contradições. Por um lado temos muito que festejar, afinal, o Brasil abriga a maior floresta tropical do planeta, rica em minerais, em espécies vegetais e animais, e que concebe cerca de um quinto das reservas de água doce do mundo, através da maior bacia hidrográfica com extensão de sete milhões de quilômetros.
Além de sua reconhecida riqueza natural, a Amazônia abriga expressivo conjunto de povos indígenas e populações tradicionais que incluem seringueiros, castanheiros, ribeirinhos, babaçueiras, entre outros, que lhe conferem destaque em termos de diversidade cultural. Atualmente, calcula-se que pelo menos 50 grupos de indígenas vivam isolados e sem contato regular com o mundo exterior.
Seus números também são impressionantes. A área total da floresta (6 milhões de quilômetros quadrados) abrange dois quintos da América do Sul - Venezuela, Guiana, Guiana Francesa, Suriname, Bolívia, Colômbia, Peru e Equador - e a metade do território brasileiro (4 milhões de quilômetros quadrados), dividida entre os estados do Acre, Amapá, Pará, Roraima, Rondônia, Amazonas, Tocantins, Maranhão e Mato Grosso.
Com tantas riquezas, a Amazônia tornou-se alvo de desmatamentos, disputas pelo domínio de terras, caça e pesca sem controle e contrabando de animais e de plantas, ações ilegais que ameaçam a sobrevivência da floresta e impedem a utilização correta de seus recursos para o bem da humanidade. Segundo a ambientalista Patrícia Otero, esse desequilíbrio está ocorrendo porque a atual demanda por produtos florestais é insustentável. “Todo dia, cerca de três mil e quinhentos caminhões circulam na Amazônia com madeira ilegal. Muitos desses caminhões saem com madeira serrada para os consumidores em outros estados, principalmente São Paulo”.
O relatório divulgado mensalmente pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) mostra que o desmatamento da Amazônia cresceu quase 160% em relação ao mesmo mês do ano passado. Foram desmatados 836 quilômetros quadrados de floresta, isso quer dizer que, num único mês, foi derrubada uma área do tamanho da cidade de Campinas. O estado que mais desmatou foi o Pará, que derrubou quase 600 quilômetros quadrados de mata nativa. O segundo estado que mais destruiu foi Mato Grosso.
A ambientalista resume o ciclo do desmatamento na Amazônia: “O madeireiro que ocupou ilegalmente e desmatou leva alguns anos para tirar todas as espécies aproveitadas. Depois queima o que sobrou da floresta e prepara o terreno para a pecuária. Nas áreas com menos chuvas e escoamento, vem a soja”. Segundo Otero, cerca de 80 milhões de cabeças de gado pastam nessas áreas desmatadas, e a expectativa é de mais pastos para a pecuária, que já ocupa 78% de toda a área desmatada ilegalmente na Amazônia.
Para o analista ambiental do Instituto Chico Mendes, Walter Behr, o desmatamento faz parte de um ciclo de curto prazo que resulta na miséria ambiental, econômica e social. “Essas ações não trazem riquezas, mas sim destruições causadas pelos impactos sofridos que resultam na insustentabilidade”. Soluções existem, mas Walter afirma que elas não estão sendo aplicadas corretamente no Brasil. “A proteção e a recuperação da nossa floresta precisam valer mais do que o desmatamento e isso, infelizmente não acontece”. E completa: “É preciso incentivar a extração sustentável e o turismo na região para preservar a riqueza do patrimônio sem destruir”
sexta-feira, 4 de setembro de 2009
quinta-feira, 3 de setembro de 2009
sustentáveisO comprometimento com as futuras gerações
O setor financeiro e as finanças sustentáveisO comprometimento com as futuras gerações e a segurança na viabilização dos negócios acabou induzindo o mundo das finanças a pensar e agir de forma sustentável. As consequências são vistas nas operações dentro do mercado e em terceiros, como no setor produtivo, uma vez que estimula ações pró-ativas nas cadeias setoriaisJá não é de hoje que a discussão em torno da inegável relevância da aplicação do conceito de desenvolvimento sustentável está em pauta dentro do ambiente empresarial. Cada vez mais empresas se conscientizam que agir com responsabilidade ambiental e comprometimento social deve fazer parte de seus planos estratégicos e práticas diárias de seu negócio, deixando de lado a ultrapassada idéia de que a preocupação com o meio ambiente é um custo a ser evitado. Ultimamente, questões sociais e passivos ambientais passaram a ser encarados como um importante fator de risco a ser administrado e solucionado, ou até mesmo uma ótima oportunidade de negócio. A busca pela sustentabilidade nos negócios passa, também, pelo setor financeiro. Com o conhecimento e os incentivos corretos, as instituições financeiras podem desempenhar um papel decisivo na promoção da melhoria da qualidade socioambiental. Isso se dá não apenas em função da importância dos ativos financeiros na atividade econômica, mas, também, em decorrência da necessidade de se proteger dos crescentes riscos financeiros, além de legais e de reputação, causados por práticas sociais e ambientais inadequadas. Esse engajamento do setor financeiro é conhecido como finanças sustentáveis. De acordo com alguns estudiosos, o termo não surgiu a partir de uma abordagem teórica específica, mas de uma espécie de batismo de mercado. Qualquer menção ao binômio sustentabilidade-mercado financeiro acaba por remeter às finanças sustentáveis.Em um artigo produzido por Renata Brito, doutoranda da FGV-Eaesp – Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas e Pesquisadora do CES – Centro de Estudos em Sustentabilidade, e por Lauro Gonzalez, professor do Departamento de Finanças da FGV-Eaesp e coordenador do Centro de Estudos em Microfinanças, é destacado que o termo finanças sustentáveis pode ser definido como a efetiva utilização de variáveis relacionadas à sustentabilidade nos processos decisórios do mercado financeiro. Segundo os autores, em um exemplo trivial, um banco pode negar crédito a uma empresa cujas práticas de negócio causem danos ao meio ambiente, ou seja, o banco levou em consideração uma variável nitidamente associada à sustentabilidade em meio ao seu processo decisório de crédito. Este conceito ou prática sintetiza a junção de duas idéias de crescente força nos últimos 30 anos. A primeira diz respeito ao papel do setor financeiro em financiar o desenvolvimento econômico. Já a segunda traz à tona a preocupação da sociedade com a escassez de recursos naturais e os impactos sociais do crescimento econômico. Entretanto, somente no final da década de 90 o conceito de desenvolvimento sustentável chega à agenda das instituições financeiras. Início das discussões – Os principais estudos sobre esta prática indicam que na década de 60 inicia-se o movimento de uso do poder fiduciário e a forma de alocação de capital como ativismo dos valores e ideais éticos dos investidores. É o que hoje conhecemos como SRI Socially Responsible Investing, ou Investimentos Socialmente Responsáveis, e que começa com fundos de investimentos ligados a organizações religiosas.Já na década de 90, as instituições financeiras, sobretudo os bancos, começaram a ser pressionadas pela sociedade civil organizada em campanhas massivas sobre a responsabilidade do credor pela forma de uso e aplicação dos recursos financeiros. Campanhas como a deflagrada pela Rainforest Alliance, nos Estados Unidos, e Milieudefensie, na Holanda, chamavam os depositantes a questionar seus bancos sobre a forma de aplicação dos recursos e a fechar a conta bancária ou cortar o cartão de crédito em repúdio à forma de gestão dos bancos. Essa manifestação indicava que a sociedade estava questionando as bases da prática de intermediação financeira. Em resposta a essa pressão surgiu o Tratado dos Princípios do Equador, no ano de 2003, que preconiza uma minuciosa análise socioambiental, seguindo parâmetros do IFC – International Finance Corporation, braço financeiro do Banco Mundial, para operações de “Project Finance”, uma estruturação financeira visando a viabilizar um determinado projeto de investimento.Patricia Berardi, pesquisadora do CES – Centro de Estudos em Sustentabilidade da FGV, enfatiza que a discussão efetiva iniciou-se em 1972, durante a Conferência de Estocolmo, no qual discutiram a diferença entre crescimento e desenvolvimento e o conceito de desenvolvimento sustentável foi definido. “As ONGs tiveram um papel fundamental na conscientização da opinião pública e dos atores do mercado financeiro sobre a relevância da prática das finanças sustentáveis. Os bancos seriam os principais financiadores do crescimento econômico mundial de forma indiscriminada em relação às questões socioambientais”, lembra Patricia. Segundo ela, depois do esforço pela conscientização socioambiental, as instituições financeiras perceberam que se o cliente, o que recebeu financiamento, apoio para seu empreendimento, é punido, multado por ter causado danos socioambientais, a instituição diretamente terá prejuízo, uma vez que não terá como honrar a dívida do financiamento e, mais do que isso, o nome do financiador estará direto ou indiretamente atrelado à reputação prejudicada do cliente. “Nesse sentido, os Princípios do Equador foram a primeira tentativa de fazer negócios, especificamente no caso dos bancos, atrelando as questões ambientais. Foi o primeiro movimento de engajamento das instituições financeiras com os impactos que suas ações podem gerar”, acrescenta Patrícia.É possível, então, entender que finança sustentável diz respeito à atuação do sistema financeiro de forma economicamente viável, socialmente justa e ambientalmente correta. Ou seja, preconiza que a aplicação dos recursos financeiros esteja alinhada aos princípios de desenvolvimento sustentável.Setor produtivo – No final da década de 90, aumenta a pressão da sociedade civil através de campanhas massivas sobre a responsabilidade do credor pela forma de uso e aplicação dos recursos financeiros. Ciente do poder fiduciário dos investidores e financiadores nas estratégias das empresas, a sociedade civil organizada passou a pressionar, cobrando a responsabilização dos acionistas pelos impactos socioambientais das empresas. Ao investir ou financiar empreendimentos para o setor produtivo, o mercado financeiro tornou-se, então, corresponsável pelos seus impactos gerados, ainda que não legalmente imputável na maior parte dos países, mas, moralmente responsabilizado pelos impactos daquilo que o capital produzia de externalidades negativas para a sociedade. As instituições financeiras podem e devem desempenhar um papel positivo no avanço da sustentabilidade socioambiental. “Estar em consonância com o conceito de desenvolvimento sustentável em suas operações pode, inclusive, ser indutor de ações socioambientais do cliente. Além do mais, as diretrizes envolvidas na liberação de crédito exigem compromisso socioambiental prévio do credor e uma análise criteriosa dos possíveis impactos gerados pela atividade”, comenta Patrícia.Sérgio Rosa, presidente da Previ – Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil, também considera que é totalmente possível que as instituições financeiras estimulem ações em prol da sustentabilidade. “Em nosso caso, constata-se, por exemplo, que após alguns estímulos diretos, as adesões ao PRI – Principles for Responsible Investment crescem; empresas ingressam no Pacto Global; adotam relatórios, como o GRI – Global Reporting Initiative para divulgação de suas realidades e práticas relativas à sustentabilidade, entre outras iniciativas”, destaca Sérgio.Márcio Costa, da Área de Meio Ambiente do BNDES – Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, também acredita que, de um modo geral, o setor financeiro tem todas as condições de fomentar as ações sustentáveis em terceiros, sobretudo quando se trata de indústrias, quando se alia à prática de finanças sustentáveis. E, segundo ele, o BNDES tem ainda mais responsabilidade de indução por ser um banco de desenvolvimento. Essa foi uma das razões da instituição ter ampliado recentemente seu setor de meio ambiente. “Em 2009 a parte de meio ambiente do BNDES passou por uma reestruturação e o Departamento se transformou em Área de Meio Ambiente, o que resultou, em especial, no ganho de funcionários e em mais dois departamentos operacionais”, conta Costa. Ele explica que essa mudança irá resultar no aumento da capacidade de avaliação dos projetos, aprovação e liberação de financiamentos, entre outros fatores. “Ganhamos em qualidade, critério e agilidade. Isso veio coroar a preocupação que este tema tem dentro da instituição”, acrescenta Costa.As ferramentasAlguns elementos auxiliam na incorporação do pensamento de sustentabilidade entre os principais atores financeiros. Essas ferramentas têm em comum o fato de buscar um comportamento mais adequado do empresárioQuando se fala em finanças sustentáveis, alguns outros temas estão sempre atrelados e associados, como é o caso dos Princípios do Equador, investimentos SRI, PRI, microfinanças e outros. Para entender melhor, é como se os temas associados fossem algumas das ferramentas, ou elementos, da prática de uma finança sustentável. Patricia, da FGV, ressalta que o tema é muito mais amplo e não pode se limitar apenas a esses instrumentos de ação. “Finanças sustentáveis são uma prática, um conceito envolvendo o operacional do mercado financeiro como um todo, de forma sustentável, com responsabilidade, mas sempre vinculando ao seu negócio”, explica Patricia.Princípios do Equador – Os Princípios do Equador formam um conjunto de critérios e diretrizes estabelecido pela IFC, que devem ser seguidos pelos bancos signatários no processo de avaliação dos impactos socioambientais referentes às solicitações de crédito para projetos corporativos novos ou em fase de expansão, com valor total igual ou acima de US$ 10 milhões. Para serem aprovados é necessário que os projetos cumpram determinadas regras, levando em conta, entre outras variáveis: a avaliação do impacto sobre o meio ambiente; a exigência de alguma forma de compensação para populações afetadas por um empreendimento, a construção de uma hidrelétrica, por exemplo; a proteção a comunidades indígenas; e a proibição de financiamento que apresente riscos de utilização de trabalho infantil ou escravo. Portanto, somente deve ser concedido empréstimo aos projetos que possuam plano de gestão socioambiental, com foco na mitigação, planos de ação, monitoramento e gerenciamento de riscos e planejamento. O Brasil, até o momento, conta com os seguintes bancos signatários desses princípios: Banco do Brasil, Bradesco e Itaú Unibanco.PRI – No começo de 2005, Kofi Annan, então secretário-geral das Nações Unidas, convidou um grupo composto pelos maiores investidores institucionais do mundo para fazer parte de um processo, supervisionado pela Iniciativa Financeira do Pnuma – Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente e pelo Pacto Global das Nações Unidas, de elaboração do PRI. Assim, representantes de 20 investidores institucionais de 12 países concordaram em participar do Grupo Investidor. O Grupo aceitou o desafio de elaborar os princípios, considerando os mais diversos temas emergentes. Os princípios incluem critérios ambientais, sociais e de governança e fornecem um marco para o alcance de melhores retornos de investimentos de longo prazo e mercados mais sustentáveis. A Previ –maior fundo de pensão da América Latina – teve participação ativa na construção e no lançamento do PRI e representa a América Latina no Grupo Executivo da iniciativa. Além de incorporar os princípios às suas atividades, outra ação desenvolvida pela instituição brasileira é a de divulgação permanente do PRI, promovendo a adesão de novos signatários.No total, são seis os princípios, e cada um inclui algumas recomendações de possíveis ações. São eles:1- Incluir as questões de ESG – Ambiental, Social e Governança Corporativa nas análises de investimento e nos processos de tomada de decisão;2- Sermos proprietários ativos e incorporar os temas de ESG nas políticas e práticas de detenção de ativos;3- Buscar a transparência adequada nas empresas em que investimos quanto às questões de ESG;4- Promover a aceitação e a implementação dos princípios no conjunto de investidores institucionais;5- Trabalhar juntos para reforçar nossa eficiência na implementação dos princípios;6- Divulgar nossas atividades e progressos em relação à implementação dos princípios.SRI – Os fundos de investimento socialmente responsáveis procuram equilibrar as expectativas financeiras do investidor com o impacto de investimentos no meio social e ambiental. Os fundos SRI são compostos de ações de empresas, selecionadas por obedecerem a algum critério socioambiental estabelecido de forma transparente. Alguns gestores SRI se contentam com a simples exclusão de setores que são, quase sempre, fumo, bebidas alcoólicas, armamentos, pornografia e cassinos, embora haja casos nos quais petróleo, papel e celulose, mineração e até carnes tenham sido excluídos. Há outros fundos que aceitam investir em quase todos os setores, desde que as empresas selecionadas se destaquem pelas melhores práticas ambientais e sociais. Estes fundos procuram analisar políticas gerais da empresa, tais como o relacionamento com o público e com as comunidades locais, assim como as relações de trabalho com funcionários, fornecedores e parceiros. Em se tratando das questões ambientais, os critérios abrangem o desempenho da empresa, baseando-se em indicadores como contribuição ao aquecimento global ou à destruição da camada de ozônio, emissão tóxica, consumo de matérias-primas, energia e água, perfil de seus produtos e qualidade da administração ambiental, entre outros. No Brasil, o movimento é recente, mas avança com velocidade superior a de outros emergentes. Um exemplo é o lançamento, no ano de 2001, do Fundo Ethical, do Banco Real, por meio do ABN Amro Asset Management, primeiro SRI da América Latina.Ações sustentáveis nas finançasNos últimos tempos, diversas entidades ligadas à promoção da sustentabilidade no mundo dos negócios estão empenhadas na aplicação efetiva da prática de finanças sustentáveisUma coisa que deve ficar clara é que, ao pensar em finanças sustentáveis, deve-se lembrar que todos os atores do setor financeiro estão incluídos na discussão – não somente os bancos, mas também fundos de pensão, seguradoras, financiadoras e entidades vinculadas ao crédito, entre outros. Além disso, as formas de aplicação da prática também variam bastante. Vale ressaltar que embora a definição do tema seja clara, os critérios para a atuação em consonância com a sustentabilidade dentro do mercado financeiro depende de cada empresa.Há diversas iniciativas em todo o mundo relacionadas ao tema, como, por exemplo, no esforço para ampliar as discussões em torno do mesmo, buscando promover uma melhor compreensão. Há, também, a criação de ações envolvendo o operacional das instituições do mercado financeiro, como é o caso de linhas de créditos, fundos e outros.Para Sonia Favaretto, superintendente de Sustentabilidade do Itaú Unibanco, finanças sustentáveis são uma prática que, no Brasil, de uma forma geral, já estão bem avançadas a sua compreensão e aplicação. “Um exemplo é o fundo de investimento Itaú DI Ecomudança”, conta Sonia. Esse fundo oferece a rentabilidade atrelada à variação da taxa de juros e reduz o impacto sobre as mudanças do clima do planeta. Sonia explica que o Itaú, em parceria com organizações não-governamentais, destina 30% da taxa de administração do fundo para ações ambientais de redução da quantidade de CO2 e dióxido de carbono equivalente, principal fator responsável pelo aquecimento global.Assim como o banco, Sérgio, presidente da Previ, conta que a instituição agrega critérios de responsabilidade socioambiental às suas Políticas e Diretrizes de Investimentos e desenvolve iniciativas com empresas participantes e empreendimentos imobiliários. Por exemplo, a elaboração do Código Previ de Melhores Práticas de Governança Corporativa; incentivos às empresas participantes a divulgarem suas práticas de RSA e de integrarem iniciativas de engajamento colaborativo como o Pacto Global e o Carbon Disclosure Project; inclusão de aspectos ambientais nos laudos de avaliação dos ativos imobiliários; e outros.Outro exemplo brasileiro de iniciativa em finanças sustentáveis é o Fundo Brasil Sustentabilidade, do BNDES. Esse é o primeiro Fundo de Investimento em Participações do Brasil voltado exclusivamente para projetos no âmbito do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo. O FBS tem participação da BNDESPAR, holding brasileira de propriedade do BNDES criada para administrar as participações do banco em diversas empresas, de R$ 100 milhões, limitada a uma parcela de 40% do valor total do Fundo. O patrimônio comprometido do Fundo ficará entre R$ 250 milhões e R$ 400 milhões. O fundo terá como gestor a Latour Capital do Brasil, empresa de investimentos independente classificada no processo seletivo realizado pelo Comitê de Mercado de Capitais do BNDES. A administração do Fundo ficará a cargo da BEM DTVM Ltda. e a Sustaincapital Ltda., empresa controlada pelo gestor, será responsável pela estruturação técnica dos projetos de MDL apoiados pelo FBS. Luzia Hirata, gestora da empresa KeyAssociados, explica que o Fundo tem prazo de duração de oito anos, prorrogável por até dois anos. O período de investimento é de quatro anos, podendo ser estendido por até um ano. “Essa iniciativa pioneira no país é mais uma demonstração do compromisso do BNDES com o desenvolvimento de projetos ambientalmente sustentáveis, contribuindo, ao mesmo tempo, para o fortalecimento do mercado de capitais e para maior conscientização dos investidores sobre a importância de preservação do meio ambiente”, destaca Luciano Coutinho, presidente do BNDES. A política de investimento do Fundo Brasil Sustentabilidade tem como foco companhias com atividades associadas a projetos com potencial de geração de créditos de carbono no âmbito do MDL. Para Luzia, nesse cenário o Brasil tem manifestado comprometimento e iniciativas muito interessantes. “A criação do ISE, do Lasff – Fórum Latino-Americano sobre Finanças Sustentáveis, do PRI e de fundos de investimentos sustentáveis constitui bons exemplos de iniciativas locais de fomento ao tema. Os bancos brasileiros, aliás, têm apresentado iniciativas fortes dentro desse contexto, como o Bradesco, Itaú Unibanco, Banco do Brasil e outros”, comenta Luzia.Desafios – Mesmo com todas as discussões promovidas em encontros acerca do tema, criação e participação de grupos, definição de diretrizes e lançamentos de produtos sustentáveis pelas instituições financeiras, os especialistas acreditam que o grande desafio ainda é a conscientização dos agentes do mercado financeiro em relação à sustentabilidade. “Ainda é preciso que os atores do setor das finanças saibam da importância de inserir essa prática em suas operações, fazê-los acreditar nas vantagens e nos benefícios para o seu negócio”, enfatiza Luzia.Segundo os especialistas, ainda há um esforço grande para fazer com que esse público compreenda que o mundo mudou, que há uma nova realidade e isso precisa ser levado em conta na hora de fazer negócio, apesar das diversas iniciativas já efetivadas pelo setor. “O que falta é uma mudança de cultura dos principais envolvidos do mercado financeiro. Fazer com que o setor financeiro enxergue o real espaço do desenvolvimento sustentável na atualidade”, avalia Costa, do BNDES.Além disso, também é necessária a produção de conhecimento e métricas para inserção das questões de sustentabilidade nas avaliações de investimentos. Para o presidente da Previ, como este tema é relativamente recente no mundo financeiro, sobretudo no ambiente dos investidores institucionais, ainda há muito conhecimento a ser produzido para que as decisões e práticas consequentes possam ser avaliadas e validadas pelas diversas partes envolvidas. “Esta validação é fundamental para que todos os agentes econômicos adotem práticas que, respeitando as suas legítimas finalidades e responsabilidades, busquem permanentemente melhores resultados sociais e menores impactos ambientais decorrentes de suas atividades”, finaliza Sérgio, da Previ.BNDES criou Área de Meio AmbienteO BNDES – Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social anunciou no início de 2009 a criação de uma Área de Meio Ambiente. A decisão da cúpula do banco de ter uma área para cuidar do meio ambiente foi tomada levando em conta a necessidade de fortalecer a consciência ambiental nas empresas e trabalhar junto com o governo federal para combater as mudanças climáticas e o desmatamento. De acordo com Márcio Costa, a idéia do BNDES é ter a sustentabilidade ambiental como uma das prioridades este ano, levando a área a crescer bem rapidamente. Costa esclarece que a direção do banco reconhece a necessidade de trabalhar cada vez mais a questão ambiental, pois ela está tomando uma dimensão grande, dado o agravamento do aquecimento global e a importância do Brasil para a preservação do ecossistema planetário, que tem a Amazônia como uma das peças de resistência. “A Área de Meio Ambiente vai gerir o Fundo da Amazônia, entre outras competências, como o Proesco – Programa de Conservação de Energia e um programa especial de preservação da Mata Atlântica, que se chamará Iniciativa BNDES/Mata Atlântica”, afirma Costa. Itaú lançou Prêmio de Finanças SustentáveisO Prêmio Itaú de Finanças Sustentáveis é mais uma das ações do Itaú, cujo objetivo é investir no potencial de grandes idéias, estimulando a produção de trabalhos acadêmicos e matérias jornalísticas sobre finanças sustentáveis. O tema engloba a inserção de aspectos sociais e ambientais nas atividades financeiras, seja através de financiamento, investimento e seguros, além de qualquer outra atividade que esteja ligada diretamente à oferta dos produtos financeiros. O Prêmio é destinado a jornalistas, estudantes e professores que tenham trabalhos publicados relacionados ao tema finanças sustentáveis e é dividido em duas categorias: Trabalhos Acadêmicos e Trabalhos Jornalísticos. A primeira categoria engloba as modalidades: teses de mestrado, doutorado ou pós-graduação lato sensu, defendidas pelos respectivos autores e aprovadas pelas bancas examinadoras. A segunda categoria é destinada às matérias jornalísticas publicadas em mídias impressas, especificamente jornais e revistas. As modalidades são: artigos e ensaios ou reportagens em geral publicados em jornal ou revista sediados no Brasil. Sonia Favaretto, do Itaú Unibanco, explica que o objetivo é estimular a compreensão e aplicação do tema através de jornalistas e acadêmicos, uma vez que são formadores de opinião. “Os projetos, para serem selecionados, devem ter um foco muito claro em finanças sustentáveis. Entre os critérios para seleção, os principais são: clareza, objetividade, riqueza de dados e contribuição ao tema”, conta Sonia. Mais informações no site: http://www.itaufinancassustentaveis.com.brLinha do tempoAs ações aqui mostradas são apenas exemplos do que vem sendo realizado no Brasil neste novo milênio. Há muitas outras iniciativas envolvendo o tema.2009 Febraban lança Protocolo Verde para os bancos privados, com adesão inicial dos bancos Bradesco, Cacique, Citibank, HSBC, Itaú Unibanco, Safra e Santander Brasil – Real Banco Central do Brasil cria área de responsabilidade socioambiental2008 Bancos públicos federais brasileiros lançam versão revisada do Protocolo Verde Serasa lança o produto Relatório de Responsabilidade Social, que incorpora questões sociais na avaliação de risco de crédito Unibanco Asset Management e Banco Real Asset Management aderem ao PRI Banco Unibanco obtém linha de crédito inédita da IFC para financiamento de projetos nas áreas de energia renovável, eficiência energética e construção sustentável BNDES cria o Fundo Brasil Sustentabilidade, primeiro fundo de investimento do país voltado para o desenvolvimento de projetos ambientais Banco Itaú lança política de crédito com classificação do risco socioambiental dos clientes corporativos2007 Banco Bradesco anuncia o lançamento de produtos com foco socioambiental que irão gerar recursos financeiros para a Fundação Amazônia Sustentável BM&F – Bolsa de Mercadorias & Futuros realiza primeiro leilão público de créditos do carbono do mundo IFC e FGVCes lançam o Lasff – Fórum Latino-Americano sobre Finanças Sustentáveis Caixa Econômica Federal e Banco Banif lançam fundo Caixa Ambiental, primeiro fundo com foco em projetos do setor de saneamento básico e meio ambiente Banco Unibanco e Caixa Econômica Federal lançam fundos atrelados ao ISE2006 Banco Bradesco é incluído no Dow Jones Sustainability Index Bancos privados lançam nova versão dos Princípios do Equador, com ratificação dos bancos brasileiros Bancos HSBC, Bradesco e Safra lançam fundos atrelados ao ISE Banco Abn Amro Real lança fundo de investimento em infraestrutura com sistema de gestão ambiental – Fundo InfraBrasil Ocorre o lançamento do PRI, com adesão pioneira do fundo de pensão Previ2005 Banco do Brasil adere aos Princípios do Equador e adota critérios socioambientais no financiamento de projetos não enquadrados nos Princípios do Equador Bovespa lança o ISE – Índice de Sustentabilidade Empresarial Fundo de pensão Petros adota critérios socioambientais para seleção da carteira de ações2004 Bancos Unibanco, Itaú e Bradesco aderem aos Princípios do Equador Seguradora Unibanco AIG lança seguro ambiental Banco Itaú lança fundo Excelência Social Banco HSBC lança política para o setor florestal Banco ABN Amro lança política para o setor de mineração e metalurgia2003 Dez bancos internacionais lançam os Princípios do Equador Organizações da sociedade civil lançam a Declaração de Collevecchio, 1ª declaração das ONGs sobre o papel do setor financeiro e a sustentabilidade Banco do Brasil lança a estratégia de Desenvolvimento Regional Sustentável, que visa a práticas de apoio a atividades produtivas de forma sustentável2002 Banco ABN Amro Real adota política de riscos socioambientais2001 Banco ABN Amro Real lança Fundo Ethical2000 Campanhas internacionais da sociedade civil sobre projetos financiados por bancos privados ganham maior visibilidade
quarta-feira, 2 de setembro de 2009
Água



Água no Mundo.
A água (em termos químicos também designada por: hidróxido de hidrogênio, monóxido de di-hidrogênio ou ainda protóxido de hidrogênio) é uma substância que, nas Condições Normais de Temperatura e Pressão (0 °C; 1 atm), encontra-se em seu ponto de fusão. Em condições ambientes (25 °C; 1 atm) encontra-se no estado líquido, visualmente incolor (em pequenas quantidades), inodora e insípida, essencial a todas as formas de vida conhecidas.
A água possui fórmula química H2O, ou seja, a menor parte da substância que ainda é considerada aquela substância (uma molécula de água) possui em sua composição dois átomos de hidrogênio e um de oxigênio ligados por meio de ligações químicas. É uma substância abundante na Terra, cobrindo cerca de três quartos da superfície do planeta, sendo encontrada principalmente nos oceanos e calotas polares, e também na atmosfera sob a forma de nuvens, nos continentes em rios, lagos, glaciares e aquíferos, para além da que está contida em todos os organismos vivos
Distribuição na Terra
Na Terra há cerca de 1 360 000 000 km³ de água que se distribuem da seguinte forma:
1 320 000 000 km³ (97%) são água do mar.
40 000 000 km³ (3%) são água doce.
25 000 000 km³ (1,8%) como gelo.
13 000 000 km³ (0,96%) como água subterrânea.
250 000 km³ (0,02%) em lagos e rios.
13 000 km³ (0,001%) como vapor de água.
ESTAÇÃO DE TRATAMENTO DE ÁGUA
1. Desinfecção
A desinfecção é uma etapa na qual se têm como objetivo a destruição de microrganismos patogênicos, neste caso o produto químico utilizado é o cloro que pode ser utilizado no inicio do tratamento (per cloração), na água decantada (inter cloração) e na água filtrada (pós cloração) (Sabesp, 2006).
Coagulação
Nas ETAs, a coagulação é realizada na unidade de mistura rápida, podendo ser hidráulica ou mecanizada, nesta etapa destacam-se mecanismos nos quais se têm a formação do ressalto hidráulico (vertedor Parshall ou retangular), injetores (tubos providos de orifícios) em tubulações forçadas ou em canais de água bruta, câmaras providas de agitadores mecanizados com diferentes tipos de rotores etc (Bernardo, 2002).
Floculação
Nesta etapa são fornecidas condições para facilitar o contato e a agregação de partículas previamente desestabilizadas por coagulação química, visando a formação de flocos com tamanho e massa específica que favoreçam sua remoção por sedimentação, flotação ou filtração direta. A eficiência da unidade de floculação depende do desempenho da unidade de mistura rápida, a qual é influenciada por fatores como o tipo de coagulante, pH de coagulação, temperatura da água, concentração e idade da solução de coagulante, tempo e gradiente de velocidade da mistura rápida, tipo e geometria do equipamento de floculação e qualidade da água bruta (Bernardo,2002).
Decantação
A decantação é o processo no qual se retiram os flocos formados pela agregação de impurezas durante a floculação. A separação entre o decantador e floculador é feita por uma cortina de madeira ou difusos, evitando assim que se propague para o decantador a turbulência criada no floculador, o flocos são depositados formando uma camada de lodo que é arrastada para um poço no cento do decantador (Sabesp, 2006).
Filtração
A filtração é o processo de remoção de impurezas, na filtração rápida as impurezas são retidas ao longo do meio filtrante, em contraposição à ação superficial, em que a retenção é significativa apenas no topo do meio filtrante. Independente da condição de filtração, após certo tempo de funcionamento há necessidade da lavagem do filtro. A filtração pode ser realizada com taxa constante ou declinante, dependendo das características de entrada e saída das unidades de uma bateria. No caso da filtração com taxa constante no interior do filtro, de forma que equipamentos de controle podem ou não ser necessários. Como conseqüência negativa podem ocorrer a elevação da turbidez e o aumento do número de microorganismos (Bernardo, 2002).
Correção de PH
Para a correção do ph, é comum o uso de Cal que pode ser aplicada em três etapas: na pré-alcalização (água bruta), inter alcalinização (água decantada) e na pós alcalinização (água filtrada) ( Sabesp, 2006)
Na pré-alcalinização ajusta-se o pH de alcalinização, na inter alcalinização a cal auxilia o ajuste do PH final e facilita a remoção de compostos indejáveis e na pós- alcalinização ajusta-se o pH final da água evitando a corrosão das tubulações (Sabesp, 2006).
Produtos Químicos
Produto
Função
Carvão ativado em pó
Carvão ativado granular
Adsorvente
Ácido Clorídrico
Ácido Súlfurico
Acidificante
Cal Hidratada
Cal Virgem
Carbonato de Sódio
Soda Cáustica Sólida
Soda Cáustica Líquida
Alcalinizante
Sukfato de Cobre
Algicida
Polímeros Naturais
Polímeros Sintéticos
Auxiliares de Coagulação/floculação
Cloro líquido ou gasoso
Hiplocorito de Sódio
Dióxido de Cloro
Ácido Peraacético
Ozônio
Permanganato de Potássio
Peróxido de Hidrogênio
Desifetantes e Oxidantes
Cloreto Férrico PA
Cloreto Férrico Comercial Líquido
Sulfato ferroso clorado líquido
Sulfato Férrico PA
Sulfato Férrico comercial
Sulfato Férrico comercial líquido
Hidróxi- cloreto de Alumínio líquido
Hidóxi-cloreto de Alumínio em pó
Sulfato de Alumínio PA
Sulfato de Alumínio comercial líquido
Tanato
Coagulantes Químicos
Distribuição
Após a filtração, a água passa por uma unidade de mistura onde são adicionados cal, cloro e flúor, sendo então distribuída para a população., devendo atender a parâmetros da portaria 518 do Ministério da Saúde.
Bibliografia:
BERNADO, Luiz di; Bernado, Angela di; Filho, Paulo Luiz Centrione. Ensaios de Tratabilidade de água e dos resíduos gerados em estações de tratamento de água . Rima. São Carlos. 2002.
SABESP. Estação de Tratamento de Água Guaraú. 2006.
Ministério da Saúde. Portaria 518, de 25 de março de 2004
E.T.E
O tratamento consiste na remoção de poluentes do esgoto. O método a ser utilizado depende das características físicas, químicas e biológicas do esgoto.
Na Região Metropolitana de São Paulo, o método utilizado nas grandes estações de tratamento é por lodos ativados, onde há uma fase líquida e outra sólida que compreende o lodo.
O método por lodos ativados foi desenvolvido na Inglaterra em 1914. Ele é amplamente utilizado para tratamento de esgotos domésticos e industriais. O trabalho consiste num sistema no qual uma massa biológica cresce, forma flocos e é continuamente recirculada e colocada em contato com a matéria orgânica sempre com a presença de oxigênio (aeróbio).
O processo é estritamente biológico e aeróbio, no qual o esgoto bruto e o lodo ativado são misturados intimamente, agitados e aerados em unidades conhecidas como tanques de aeração. Após este procedimento, o lodo é enviado para o decantador secundário, onde a parte sólida é separada do esgoto tratado. O lodo sedimentado retorna ao tanque de aeração ou é retirado para tratamento específico.
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