Em meio ao seu verde, o fogo arde queimando o nosso pulmão. Os pássaros perdem seus galhos, em desespero voam sem rumo na imensidão. Os animais correm em círculos, perdidos na fumaça da morte certa. Os gritos das aves, dos animais, das plantas... Sentindo-nos impotentes, perguntaremos a nós mesmos: O que fizemos com a nossa Amazônia? - Regina Martins.
O Dia da Amazônia – 05 de setembro – é uma data cheia de contradições. Por um lado temos muito que festejar, afinal, o Brasil abriga a maior floresta tropical do planeta, rica em minerais, em espécies vegetais e animais, e que concebe cerca de um quinto das reservas de água doce do mundo, através da maior bacia hidrográfica com extensão de sete milhões de quilômetros.
Além de sua reconhecida riqueza natural, a Amazônia abriga expressivo conjunto de povos indígenas e populações tradicionais que incluem seringueiros, castanheiros, ribeirinhos, babaçueiras, entre outros, que lhe conferem destaque em termos de diversidade cultural. Atualmente, calcula-se que pelo menos 50 grupos de indígenas vivam isolados e sem contato regular com o mundo exterior.
Seus números também são impressionantes. A área total da floresta (6 milhões de quilômetros quadrados) abrange dois quintos da América do Sul - Venezuela, Guiana, Guiana Francesa, Suriname, Bolívia, Colômbia, Peru e Equador - e a metade do território brasileiro (4 milhões de quilômetros quadrados), dividida entre os estados do Acre, Amapá, Pará, Roraima, Rondônia, Amazonas, Tocantins, Maranhão e Mato Grosso.
Com tantas riquezas, a Amazônia tornou-se alvo de desmatamentos, disputas pelo domínio de terras, caça e pesca sem controle e contrabando de animais e de plantas, ações ilegais que ameaçam a sobrevivência da floresta e impedem a utilização correta de seus recursos para o bem da humanidade. Segundo a ambientalista Patrícia Otero, esse desequilíbrio está ocorrendo porque a atual demanda por produtos florestais é insustentável. “Todo dia, cerca de três mil e quinhentos caminhões circulam na Amazônia com madeira ilegal. Muitos desses caminhões saem com madeira serrada para os consumidores em outros estados, principalmente São Paulo”.
O relatório divulgado mensalmente pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) mostra que o desmatamento da Amazônia cresceu quase 160% em relação ao mesmo mês do ano passado. Foram desmatados 836 quilômetros quadrados de floresta, isso quer dizer que, num único mês, foi derrubada uma área do tamanho da cidade de Campinas. O estado que mais desmatou foi o Pará, que derrubou quase 600 quilômetros quadrados de mata nativa. O segundo estado que mais destruiu foi Mato Grosso.
A ambientalista resume o ciclo do desmatamento na Amazônia: “O madeireiro que ocupou ilegalmente e desmatou leva alguns anos para tirar todas as espécies aproveitadas. Depois queima o que sobrou da floresta e prepara o terreno para a pecuária. Nas áreas com menos chuvas e escoamento, vem a soja”. Segundo Otero, cerca de 80 milhões de cabeças de gado pastam nessas áreas desmatadas, e a expectativa é de mais pastos para a pecuária, que já ocupa 78% de toda a área desmatada ilegalmente na Amazônia.
Para o analista ambiental do Instituto Chico Mendes, Walter Behr, o desmatamento faz parte de um ciclo de curto prazo que resulta na miséria ambiental, econômica e social. “Essas ações não trazem riquezas, mas sim destruições causadas pelos impactos sofridos que resultam na insustentabilidade”. Soluções existem, mas Walter afirma que elas não estão sendo aplicadas corretamente no Brasil. “A proteção e a recuperação da nossa floresta precisam valer mais do que o desmatamento e isso, infelizmente não acontece”. E completa: “É preciso incentivar a extração sustentável e o turismo na região para preservar a riqueza do patrimônio sem destruir”
sexta-feira, 4 de setembro de 2009
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